sábado, 31 de dezembro de 2016

2017...SEJA BEM-VINDO!


PHELIPE E CARLISSON SAGRAM-SE CAMPEÃO SERGIPANO SUB-15 PELA ADC

Na tarde dessa quinta-feira(29/12/2016), fechando mais um ano esportivo, a categoria sub-15 da Associação Desportiva Confiança, sagrou-se Campeã Sergipana ao vencer o grande rival, o Club Sportivo Sergipe, nas penalidades, após um empate de 1 a 1, no tempo normal.
Essa conquista teve a participação de dois Poço-verdenses, Phelipe e Carlisson, jovens promessas que nunca desistiram de seus sonhos, apesar de muitas vezes a realidade lhe fechar as portas e testar a persistência desses dois e de mais alguns que às vezes não temos notícias, é o caso de Lucas, filho de Olga.

O que nos deixa esperançoso e orgulhoso, é que esses jovens não colocaram os estudos como segunda opção, ao contrário, são bons alunos e conseguiram conciliar, com muito esforço e disciplina, o futebol e os bancos escolares. Que continuem assim, pois o futebol profissional, como tantas outras áreas, estão repletos de oportunistas que podem ceifar uma carreira promissora.  

Não esquecendo a fala do Diretor da Base, Fernando, um velho conhecido dos poço-verdenses de outrora, que trabalhou na terrinha, na hoje EMDAGRO e que de certa forma abre caminhos no clube azulino para nossos jovens. Ele fala da importância que as equipes de base tem para os clubes profissionais e que o investimento tem que ser maior aqui em Sergipe, preparando melhor os futuros craques sergipanos.


quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

FUTEBOL AMADOR E "PELADAS", UMA PRÉVIA E RESUMIDA DEFINIÇÃO

O futebol amador e as “peladas” são práticas sociais bastante difundidas em nosso país, apesar desses termos surgirem como sinônimos, estes traduzem duas práticas distintas. Vamos apresentar aqui uma definição prévia e resumida do que seja futebol amador e de “peladas”.
Futebol amador, muitas vezes reportado como “futebol de várzea” é um termo bastante utilizado nacionalmente, tanto no meio urbano, quanto no meio rural. Embora seja uma prática esportiva amadora, procura manter uma estrutura que se espelha no futebol profissional.
No futebol amador poço-verdense, pouquíssimos times, em geral, contam com uma diretoria, presidência, diretoria técnica – inclusive, com registro em cartório; por aqui, poucos ou quase nenhum possuem sede, mesmo que esta seja na casa do presidente; na maioria dos casos o presidente do time é reconhecido como o dono da equipe.
Os diretores ou presidentes procuram os melhores jogadores, alguns em bairros, povoados ou nas cidades circunvizinhas e estes, recebem dinheiro, de alguns presidentes, para atuar – para os dirigentes é importante montar um time competitivo, contando para isso com a contribuição financeira de sócios e doações de torcedores, comerciantes do bairro ou tirada do próprio bolso.
Alguns times, num passado não tão longínquo, possuíam torcida organizada, com charangas, gritos de guerra, hinos e uniformes padronizados, restaram os uniformes padronizados; disputam torneios e campeonatos organizados por ligas amadoras, por desportistas, donos de times e pelo poder executivo - a maioria destas competições são regidas pelas regras do Football Association, as mesmas do futebol profissional.

A “pelada” caracteriza-se principalmente pela espontaneidade na organização dos jogos - normalmente realizados entre amigos ou vizinhos e moradores de um mesmo bairro -, e pelas alterações nas regras do Football Association, como, por exemplo, a quantidade de jogadores, o não uso de material esportivo, ausência ou não de árbitros etc.
A “pelada”, assim como o futebol amador, está situada no tempo social do não-trabalho - no meio urbano os jogos ocorrem, a qualquer hora e nos finais de semana. Para jogar uma “pelada” três itens são indispensáveis: bola, terreno e, claro, os jogadores. Os outros itens podem ser dispensáveis de acordo com os recursos (ou a falta destes): uniforme, chuteiras, caneleiras, traves, redes, árbitros, iluminação.
Com a modernidade e a exploração do mercado habitacional, muitos campinhos de peladas desapareceram. Hoje as cidades dispõem de locais onde é preciso alugar ou negociar um espaço para a “pelada”, um ou mais jogadores ficam responsáveis por esta atividade e quem organiza a “pelada”, também participa dos jogos.


Precisamos urgentemente de políticas públicas que ofereçam mais espaços de esporte e lazer a comunidade, principalmente nos bairros, povoados e localidades mais carentes da nossa Poço Verde. O futebol amador (masculino e feminino), também precisam de ajuda, é preciso discutir e encontrar soluções a curto, médio e longo prazo, para minimizar o sofrimento de quem ainda teima em manter viva essa cultura, tão necessária, principalmente nas comunidades onde o lazer é jogar futebol ou ir ao campo nas lindas tardes domingueiras do nosso município.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

O FILME INTERROMPIDO

A tragédia aérea comove - porque morre muita gente de repente - e ao mesmo tempo. Buscamos explicar porque a tecnologia humana nos falhou e sentimos que todo avião que cai poderia ter sido o nosso - ou o de alguém próximo e querido. Conversamos com nosso medo maior - o medo da indesejada das gentes - e sentimos seu bafo frio por um instante. E então, iludidos, achamos que conseguimos afastá-la para nunca mais. 

Mas não existe nunca mais para ela.

A tragédia esportiva comove - porque no esporte projetamos ideais e utopias - e morte do personagem público é um livro rasgado, um arquivo corrompido, um filme interrompido antes do clímax. Um avião caiu. Mais de setenta pessoas morreram. A tragédia aérea se atou à esportiva. A história de um pequeno grande time catarinense ficou gigante. Vinte atletas. Treinadores. Jovens. Veteranos. Vinte jornalistas - contadores de histórias interrompidos. Um clube. 

O esporte comove porque nele desafiamos limites e canalizamos instintos. E hoje, diante da tragédia, aflora nossa melhor parte - aquela capaz de estender a mão. Em cada ato de solidariedade ou compaixão, em cada lágrima ou abraço, a gente se conecta. Por um instante esquecemos coxinhas e petralhas, corruptos e caras-de-pau, paramos de culpar, ofender, satanizar o outro - para ter o impulso de abraçá-lo.

É isso que a fragilidade faz. É isso que fazemos quando nos sentimos coletivamente vulneráveis, quando nos sentimos diante da notícia até óbvia de que somos breves. E que, num sopro, podemos deixar de ser. 

E então nos transportamos para a Arena Condá - onde mais de mil pessoas se sentam nas arquibancadas diante de um campo vazio. Estão ali para velar seus mortos - para ver o jogo silencioso. No gramado sem vinte e dois atletas, sem treinador, sem juiz, talvez atuem sombras dos últimos lances, talvez corra uma bola grávida de significados. Longe, mais de mil quilômetros além, a delegação falecida aguarda o traslado.

A tragédia dói mais porque a Chapecoense foi abatida no auge de sua jornada. O indiozinho humilde que ameaçava conquistar a América e - no clímax do filme - recebeu uma bala perdida. Em sete anos pulou da Série D para a Série A - e conquistou vaga numa final sul-americana. E de repente, não mais que de repente, foi fulminado. Mas, como Vanderlei abalroado pelo padre, a Chape sairá da tragédia maior - mais ampla, campeã de uma divisão extra-dimensional - cativa no peito de cada brasileiro.

E Chapecó vai guardar seus fantasmas - vai dar as mãos e seguir. Nós também. Vamos respirar, matar no peito, absorver e seguir na direção de nosso bafo frio. Esse - que fingimos driblar ou acreditamos enganar. Vamos lembrar desse 29 de novembro - vamos nos curar aos poucos. Talvez esqueçamos rápido de nossa mortalidade. É provável que voltemos a apontar dedos e cerrar lábios (e punhos). Mas, por um momento, ao menos, estamos em pausa - lembrando que todos seguimos até que passamos. Que possamos carregar alguma leveza de todo esse peso.

Fonte: globoesporte.com